Caracterização química, física e mineralógica da colecção de azulejos hispano-mouriscos do Museu de Lisboa - Teatro Romano
DOI:
https://doi.org/10.14568/cp2017011Palavras-chave:
Azulejos hispano-mouriscos, Vidrados plúmbicos, Corpo cerâmico, Composição química, Características físicas, Escavação arqueológicaResumo
Neste trabalho estuda-se um conjunto de fragmentos de azulejos hispano-mouriscos do espólio do Museu de Lisboa - Teatro Romano. Apresenta-se a caracterização química e morfológica dos vidrados e do corpo cerâmico e a caracterização mineralógica deste último. Os vidrados são plúmbicos, sendo que os de cor branca e azul devem a sua opacidade a SnO2 (4-11 %). As restantes cores apresentam teores de SnO2 inferiores a 2 %. O corpo cerâmico é típico de pastas calcíticas, sendo os teores de CaO de 16-28 % e de Fe2O3 de 4-5 %, este último responsável pela cor creme/ rosada. O estudo mineralógico permitiu identificar volastonite, calcite, diópsido e plagioclases cálcicas. Os resultados indicam que as temperaturas de cozedura foram geralmente próximas de 1000 ºC enquanto em alguns casos terão provavelmente estado mais perto dos 900 ºC. A caracterização física revelou valores de 30-42 % para a porosidade aberta, distribuição de tamanho de poros bimodal, absorção máxima de água de 16-26 % e coeficientes de absorção de água por capilaridade de 1,5-6,1 kg·m-2·h-1/2.
Recebido: 2017-3-23
Revisto: 2017-11-19
Aceite: 2017-12-2
Online: 2017-12-10
Publicação: 2018-9-29
Downloads
Referências
[1] Trindade, R., Revestimentos Cerâmicos Portugueses-Meados século XIV à primeira metade do século XVI, Edições Colibri, Lisboa (2007).
[2] Santos, R., O Azulejo em Portugal, Editorial Sul Limitada, Lisboa (1957).
[3] Porter,V., Islamic Tiles, The British Museum Press, London (1995).
[4] Mason, R.; Tite, M., 'The beginnings of tin-opacification of pottery glazes', Archaeometry 39 (1997) 41-58, https://doi.org/10.1111/j.1475-4754.1997.tb00789.x.
[5] Matthes, W., Vidriados Cerámicos: Fundamentos, Propriedades, Recetas, Métodos, Ediciones Omega, S.A., Barcelona (1990).
[6] Sabo, R.; Falcato, J., Azulejos: Arte e História, Edições INAPA, Lisboa (1998).
[7] Costa, M., 'Study of 19th century wall tiles for technical replicas development', tese de doutoramento, Departamento de Engenharia Civil - Universidade de Aveiro, Aveiro (2013), http://hdl.handle.net/10773/12103.
[8] Riccardi, M. P.; Duminuco, P.; Tomasi, C.; Ferloni, P., 'Thermal, microscopic and X-ray diffraction studies on some ancient mortars', Termochimica Acta 321(1-2) (1998) 207-214, https://doi.org/10.1016/S0040-6031(98)00461-4.
[9] Allan, J. W., 'Abu'l-Qasim's treatise on ceramics', Iran - Journal of the British Institute of Persian Studies 11 (1973) 111-120.
[10] Allan, J.; Llewellyn, L.R.; Schweizer, F., 'The history of socalled egyptian faience in Islamic Persia: investigations into Abu'l-Qasims treatise', Archaeometry 15(2) (1973) 165-173, https://doi.org/10.1111/j.1475-4754.1973.tb00087.x.
[11] Parra, J., Azulejos: Painéis do Séculos XVI ao Século XX, vol. 1, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Lisboa (1994).
[12] Barros, L.; Cardoso, G.; Gonçalves, A., 'Primeira notícia do forno de S. António da Charneca - Barreiro', in Actas das 3as Jornadas de Cerâmica Medieval e Pós-Medieval, Câmara Municipal de Tondela, Tondela (2003) 295-307.
[13] Fernandes, L., 'Teatro romano de Lisboa - os caminhos da descoberta e os percursos da investigação arqueológica', Al-Madan 15 (2007) 27-39.
[14] Fernandes, L., 'Teatro romano de Olisipo: a marca do novo poder romano', in Arqueologia em Portugal, 150 Anos, ed. J. M. Arnaud, A. Martins & C. Neves, Associação dos Arqueólogos Portugueses, Lisboa (2013) 765-773.
[15] Fernandes, L., 'Museu do Teatro Romano (2001-2013): Balanço de uma década de intervenção e novos projectos para o espaço museológico', Al-Madan 18 (2013) 51-62.
[16] Fernandes, L.; Almeida, R. F., 'Um Celeiro da Mitra no Teatro Romano de Lisboa: inércias e mutações de um espaço do séc. XVI à actualidade', in Velhos e Novos Mundos Estudos de Arqueologia Moderna, ed. A. Teixeira & J. A. Bettencourt, vol. 1, Centro de História de Além-Mar, Lisboa (2012) 111-122.
[17] Fernandes, L.; Almeida, R. F.; Loureiro, C., 'Entre o teatro romano e a Sé de Lisboa: evolução urbanística e marcos arquitectónicos da antiguidade à reconstrução pombalina', Revista de História de Arte 11 (2014) 19-33.
[18] 'Tombo da Cidade de Lisboa em 1755, que está no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, feita sobre uma copia do mesmo tombo, da letra de José Valentim de Freitas; que está na Associação dos Arqueólogos, por João Marques da Silva, em Junho de 1894', documento, Museu da Cidade, Lisboa.
[19] Santos, T.; Vaz, M. F.; Pinto, M. L.; Carvalho, A. P., 'Porosity characterization of old Portuguese ceramic tiles', Construction and Building Materials 28 (2012) 104-110, https://doi.org/10.1016/j.conbuildmat.2011.08.004.
[20] 'Determinação da absorção de água e da porosidade aberta', EN ISO 10545-3, Instituto Português de Qualidade (2004).
[21] Coentro, S.; Trindade, R.; Mirão, J.; Candeias, A.; Alves, L.; Silva, R.; Muralha, 'Hispano-Moresque ceramic tiles from the Monastery of Santa Clara-a-Velha (Coimbra, Portugal)', Journal of Archaeological Science 41 (2014) 21-28, https://doi.org/10.1016/j.jas.2013.07.031.
[22] Pradell, T.; Molina, G.; Pla, J.; Labrador, A., 'The use of micro-XRD for the study of g aze color decorations', Applied Physics A 111 (2012) 121-127, https://doi.org/10.1007/s00339-012-7445-x.
[23] Molera, J.; Vendrell-Saz, M.; Pérez-Arantegui, J., 'Chemical and Textural Characterization of tin glazes in Islamic ceramics from Eastern Spain', Journal of Archaeological Science 28 (2001) 331-340, https://doi.org/10.1006/jasc.2000.0606.
[24] Vendrell-Saz, M.; Molera, J.; Roqué-Rosell, J.; Pérez-Arangueti, J., 'Islamic and Hispano-Moresque (múdejar) lead glazes in Spain: a technical approach', Geological Society of London Special Publications 257(1) (2006) 163-173, https://doi.org/10.1144/GSL.SP.2006.257.01.12.
[25] Molera, J.; Vendrell-Saz, M.; Garcia-Vallés, M.; Pradell, T., 'Technology and colour development of Hispano-Moresque lead-glazed pottery', Archeometry 39(1) (1997) 23-39, https://doi.org/10.111/j.1475-4754.1997.tb00788.x.
[26] Buxeda i Garrigós, J. (1999) 'Alteration and contamination of archaeological ceramics: the perturbations problem', Journal of Archaeological Science 26 (3) (1999) 295-313, https://doi.org/10.1006/jasc.1998.0390.
[27] Bendaoud, R.; Guilherme A.; Zegzouti, A.; Elaatmani, M.; Coroado, J.; Carvalho, M. L., Queralt, I., 'Elemental mapping of Moroccan enamelled terracotta tole works (Zellij) based on X-ray micro-analyses', Applied Radiation and Isotopes 82 (2013) 60-66, https://doi.org/10.1016/j.apradiso.2013.07.001.
[28] Manson, R.; Golombek, L., 'The petrography of Iranian Safavid ceramics', Journal of Archaeological Science 30 (2003) 251-261, https://doi.org/10.1006/jasc.2002.0712.
[29] Mason, R.; Tite, M., 'The beginnigs of Islamic stonepaste technology', Archaeometry 36(1) (1994) 77-91, https://doi.org/10.1111/j.1475-4754.1994.tb01066.x.
[30] Amorós, J. L.; Orts, M. J.; Mestre, S.; García-Ten, J.; Feliu, C., 'Porous single-fired wall tile bodies: influence of quartz particle size on tile properties', Journal of the European Ceramic Society 30 (2010) 17-28, https://doi.org/10.1016/j.jeurceramsoc.2009.08.001.
[31] Ferreira, L.; Conceição, D.; Ferreira, D.; Santos, L.; Casimiro, T.; Machado, I., 'Portuguese 16th century tiles from Santo António da Charneca's kiln: a spectroscopic characterization of pigments, glazes and pastes', Journal of Raman Spectroscopy 45 (2014) 838-847, https://doi.org/10.1002/jrs.4551.
[32] Molera, J.; Pradell, T.; Salvadó, N.; Vendrell-Saz, M., 'Lead frits in Islamic and Hispano-Moresque glazed productions', in From Mine to Microscope: Advances in the Study of Ancient Technology, ed. A. J. Shortland, I. Freestone, T. Rehren, Oxhow Books, Oxford (2009) 1-10.
[33] Tite, M.; Freestone, I.; Mason, R.; Molera, J.; Vendrell-Saz, M.; Wood, N., 'Lead glazes in Antiquity. Methods of production and reason for use', Archaeometry 40(2) (1998) 241-260, https://doi.org/10.1111/j.1475-4754.1998.tb00836.x.
[34] Roldán-García, C.; Coll, J.; Ferrero, J., 'EDXRF analysis of blue pigments used in Valencian ceramics from the 14th century to modern times', Journal of Cultural Heritage 7 (2006) 134-138, https://doi.org/10.1016/j.culher.2006.02.003.
[35] Pérez-Arangueti, J.; Montull, B.; Resano, M.; Ortega, J. M., 'Materials and technological evolution of ancient cobalt-blue-decorated ceramics: pigments and work patterns in tin-glazed objects from Aragon (Spain) from the 15th to the 18th century AD', Journal of the European Ceramic Society 29 (2009) 2499-2509, https://doi.org/10.1016/j.jeurceramsoc.2009.03.004.
[36] Gratuze, B.; Soulier, I.; Barrandon, J.; Foy, D. (1995) 'The origin of cobalt blue pigments in French glass from the thirteenth to the eighteenth centuries', in Trade and Discovery: The Scientific Study of Artefacts from Post-Medieval Europe and Beyond, ed. D. R. Hook & D. R. M. Gaimster, British Museum Press, London (1995) 123-133.
[37] Gratuze, B.; Soulier, I.; Blet, M.; Vallauri, L., 'De l'órigine du cobalt: du verre à la céramique', Revue d'Archéometrie 20(1) (1996) 77-94, https://doi.org/10.3406/arsci.1996.939.
[38] Coentro, S.; M moso, J. M.; Lima, A.; Silva, A.; Pais, A.; Muralha, V. S., 'Multi-anaytical identification of pigments and pigment mixtures used in 17th century Portuguese azulejos', Journal of the European Ceramic Society 32(1) (2012) 37-48, https://doi.org/10.1016/j.jeurceramsoc.2011.07.021.
[39] Molera, J.; Pradell, T.; Salvadó, N.; Vendrell-Saz, M., 'Interactions between clay and bodies and lead glazes', Journal of the American Ceramics Society 84(5) (2001) 1120-28, https://doi.org/10.1111/j.1151-2916.2001.tb00799.x.
[40] Pérez-Arantegui, J.; Ortega, J.M.; Escriche C., 'La tecnología de la ceramic mudéjar entre los siglos XIV y XVI: Las producciones esmaltadas de las zonas de Teruel y Zaragoza', Avances en Arqueometría 2005. Actas del VI Congreso Ibérico de Arqueometria, ed. J. Molera i Marimon, J. Frajas i Silva, P. Roura i Grabulosa & T. Pradell i Cara, Universitat i Futur, Girona (2005) 89-95.
[41] Vendrell-Saz, M.; Molera, J.; Tite, M., 'Optical properties of tin-opacified glazes', Archaeometry 42(2) (2000) 325-340, https://doi.org/10.1111/j.1475-4754.2000.tb.00885.x.
[42] Guilherme, A.; Coroado, J.; Carvalho, M. L., 'Chemical and mineralogical characterization on glazes of ceramics from Coimbra (Portugal) from the sixteenth to nineteenth centuries', Analytical and Bioanalytical Chemistry 395 (2009) 2051-2059, https://doi.org/10.1007/s00216-009-3132-y.
[43] Tite, M.,'The production technology of Italian maiolica: a reassessment', Journal of Archaeological Science 36 (2009) 2065-2080, https://doi.org/10.1016/j.jas.2009.07.006.
[44] Molera, J.; Pradell, T.; Vendrell-Saz, M., 'The colour of Carich ceramic pastes: origin and characterization', Applied Clay Science 13 (1998) 187-202, https://doi.org/10.1016/S0169-1317(98)00024-6.
[45] Mirti, P., 'On the use of colour coordinates to evaluate firing temperatures of ancient pottery', Archeometry 40(1) (1998) 45-57, https://doi.org/10.1111/j.1475-4754.1998.tb00823.x.
[46] Pradell, T.; Molera, J.; Salvadó, N.; Labrador, A., 'Synchrotron radiation micro-XRD in the study of glaze technology', Applied Physics A 99 (2010) 407-417, https://doi.org/10.1007/s00339-010-5639-7.
[47] Hajjaji, M.; Kacim, S., 'Clay-calcite mixes: sintering and phase formation', British Ceramic Transactions 103 (2004) 29-32, https://doi.org/10.1179/096797804225012701.
[48] Rathossi, C.; Pontikes, Y., 'Effect of firing temperature and atmosphere on ceramic made of NW Peloponnese clay sediments. Part I: Reaction paths, crystalline phases, microstructure and colour', Journal of the European Ceramic Society 30(9) (2010) 1841-1852, https://doi.org/10.1016/j.jeurceramsoc.2010.02.002.
[49] Traoré, K.; Kabré, T. S.; Blanchart, P., 'Gehlenite and anorthite crystallisation from kaolinite and calcite mix', Ceramic International 29(4) (2003) 377-383, https://doi.org/10.1016/S0272-8842(02)00148-7.
[50] Duminuco, P.; Messiga, B.; Riccardi, M. P., 'Firing process of natural clays. Some microtextures and related phase compositions', Termochimica Acta 321 (1998) 185-190, https://doi.org/10.1016/S0040-6031(98)00458-4.
[51] Trindade, M. J.; Dias, M. I.; Coroado, J.; Rocha, F., 'Mineralogical transformations of calcareous rich clays with firing: a comparative study between calcite and dolomite rich clays from Algarve, Portugal', Applied Clay Science 42 (2009) 345-355, https://doi.org/10.1016/j.clay.2008.02.008.
[52] Zuluaga, M. C.; Alonso-Olazabal, A.; Olivares, M.; Ortega, L.; Murelaga, X.; Bienes, J. J.; Sarmiento, A.; Etxebarria, N., 'Classification of glazed potteries from Christian and Muslim territories (Late Medieval Ages, IX-XIII centuries) by micro-Raman spectroscopy', Journal of Raman Spectroscopy 43 (2012) 1811-1816, https://doi.org/10.1002/jrs.4056.
[53] Carretero, M. I.; Dondi, M.; Fabbri, B.; Raimondo, M., 'The influence of shaping and firing technology on ceramic properties of calcareous and non-calcareous illitic-chloritic clays', Applied Clay Science 20 (2002) 301-306, https://doi.org/10.1016/S0169-1317( 1)00076-X.
[54] Carvalho, A. P.; Vaz, M. F.; Samora, M.; Pires, J., 'Characterization of ceramic pastes of Portuguese ancient tiles', Materials Science Forum 514-516 (2006) 1648-1652, https://doi.org/10.4028/www.scientific.net/MSF.514-516.1648.
[55] Pereira, S., Mimoso, J., 'Physical-chemical characterization of historic Portuguese tiles', relatório LNEC 23/2011-NPC/NMM, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Lisboa (2011).

Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
O presente trabalho é distribuído nos termos da Licença Creative Commons (CC BY-NC 4.0) que permite a utilização, partilha e reprodução para fins não comerciais e sem modificações, desde que o autor e fonte original sejam citados.
O Copyright permanece com os autores.