As cores na azulejaria portuguesa: uma revisão

Autores

  • Ema Figueiredo Departamento de Conservação e Restauro, NOVA School of Science and Technology, Campus de Caparica, 2829-516 Caparica, Portugal
  • Lurdes Esteves Museu Nacional do Azulejo, Rua Madre de Deus, 4, 1900-312 Lisboa
  • Alexandre Nobre Pais Museu Nacional do Azulejo, Rua Madre de Deus, 4, 1900-312 Lisboa https://orcid.org/0000-0002-1887-0800
  • Márcia Vilarigues Departamento de Conservação e Restauro, NOVA School of Science and Technology, Campus de Caparica, 2829-516 Caparica, Portugal; VICARTE – Unidade I&D “Vidro e Cerâmica para as Artes”, NOVA School of Science and Technology, Campus de Caparica, 2829-516 Caparica, Portugal https://orcid.org/0000-0003-4134-2819
  • Susana Coentro VICARTE – Unidade I&D “Vidro e Cerâmica para as Artes”, NOVA School of Science and Technology, Campus de Caparica, 2829-516 Caparica, Portugal https://orcid.org/0000-0003-2338-8960

DOI:

https://doi.org/10.14568/cp27252

Palavras-chave:

Azulejo, Majólica, Amarelo de Nápoles, Cobalto, Manganês, Caracterização analítica

Resumo

O presente artigo reúne a informação disponível à data relativamente aos pigmentos utilizados em azulejos portugueses entre o século XVI e o início do século XIX. A grande maioria das publicações centra-se em azulejos do século XVII, seguindo-se o século XVI, e existindo muito pouca informação acerca dos séculos XVIII e XIX. Independentemente da cronologia, a paleta da azulejaria portuguesa usa os óxidos de cobalto, cobre, manganês e ferro para a obtenção das cores azul, verde, púrpura e castanho, respetivamente, e o pigmento amarelo de Nápoles para o amarelo, podendo este ser misturado com cobalto para a obtenção de verde ou com ferro para uma cor mais alaranjada. O azul e amarelo são as cores mais estudadas, sendo que o conhecimento atual acerca das mesmas permite relacionar variações na composição química dos seus pigmentos com períodos cronológicos específicos.

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Detalhes de painéis de azulejo portugueses pertencentes ao Museu Nacional do Azulejo ilustrando as principais cores utilizadas entre os séculos XVI e XVIII:: detalhe de folhagem pintada a verde de cobre com contornos de manganês e ferro (século XVII)

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Publicado

2023-07-09

Como Citar

Figueiredo, E., Esteves, L., Nobre Pais, A., Vilarigues, M., & Coentro, S. (2023). As cores na azulejaria portuguesa: uma revisão. Conservar Património, 42, 72–80. https://doi.org/10.14568/cp27252

Edição

Secção

Artigos