Os objetos degradam-se mas memórias duram para sempre: conservação criativa no património industrial
DOI:
https://doi.org/10.14568/cp29453Palavras-chave:
Património industrial, Conservação Criativa, Preservação, ComunidadeResumo
O conceito de conservação criativa começou a ser desenvolvido em 2012 por conservadores-restauradores do Instituto Politécnico de Tomar. Partindo de um processo de re-significação de objetos fragmentados, aparentemente sem recuperação e prestes a serem descartados, procura-se desenvolver ações que culminem numa reflexão sobre a preservação e a memória coletiva. Este artigo analisa a sua aplicação no património industrial através de dois estudos de caso: o projeto Cartão de Ponto (2012), baseado na intervenção num conjunto de cartões de ponto dos funcionários da Fábrica de Fiação de Tomar, e o projeto POR1FIO, em curso, que pretende criar ferramentas de mediação cultural a partir de objetos da antiga Companhia Nacional de Fiação e Tecidos de Torres Novas. Procura-se demonstrar que a conservação criativa pode ser uma nova estratégia para ajudar a comunidade local a estabelecer memórias positivas assentes no seu património industrial e a lidar com o trauma dos processos de desindustrialização.
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