Bioreceptividade de diferentes sistemas de pintura ao desenvolvimento de fungos em paredes de tabique e placas de gesso cartonado
DOI:
https://doi.org/10.14568/cp2019003Palavras-chave:
Fungos, Sistema de pintura, Gesso cartonado, Tabique, BioreceptividadeResumo
O desenvolvimento de fungos nas superfícies dos elementos construtivos é uma das patologias mais habituais no interior dos edifícios, resultando não só na degradação precoce dos materiais, mas, especialmente, na deterioração das condições de habitabilidade. Por outro lado, intervir num edifício, reabilitando-o, é, desde logo, uma oportunidade excecional para melhorar a qualidade de vida dos seus ocupantes. Desta forma, é relevante compreender o eventual efeito inibidor que diferentes soluções de pintura poderão ter no desenvolvimento de fungos. Neste trabalho foi avaliado o desenvolvimento de fungos em quatro tipos de suporte, onde foram aplicados sistemas de pintura com diferentes características. Os suportes selecionados foram: duas paredes de tabique (solução construtiva com forte implantação no património edificado corrente), uma com argamassa à base de cal e outra com argamassa à base de cal e cimento; e duas placas de gesso cartonado (solução construtiva atualmente bastante aplicada em intervenções de reabilitação), uma normal e outra hidrófuga. Para avaliar o desenvolvimento de fungos foram adotadas duas metodologias: a contagem do número de unidades formadoras de colónias (UFC), tendo sido realizadas colheitas em seis momentos; e a inspeção visual através de registo fotográfico, incluindo a quantificação da percentagem de “pixéis negros”. No final do ensaio foi possível concluir que o gesso cartonado é um substrato mais favorável ao desenvolvimento de fungos, quando comparado com as paredes de tabique, e que a rugosidade dos substratos e o local da colheita foram aspetos relevantes para os resultados.
Recebido: 2019-2-13
Revisto: 2019-12-6
Aceite: 2020-1-24
Online: 2020-5-28
Publicação: 2020-11-27
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